Por Claudio Toyama – webdesign 05-04
Quando falamos em exemplos mais comuns de interface, o que vem à cabeça? Muitos responderiam que é o monitor do computador. Apesar de ser a interface predominante no mundo midiático de hoje, está logo cedendo espaço a novas plataformas e novos modelos de interação, como é o caso da televisão interativa, dos PDAs, dos telefones celulares, dos PDAs híbridos (PDA + telefone celular), dos Game Boys, e isto é só o começo...há óculos de realidade virtual, de realidade aumentada, interfaces acionadas por som, holográficas e a mais recente novidade anunciada na revista americana Scientific American são as interfaces flexíveis – monitores de LEDs orgânicos que podem ser enrolados.
Mas qual dessas interfaces é a melhor? A resposta é fácil: é a interface invisível. Interface invisível? Sim...aquelas interfaces que, de tão simples, naturais e adaptadas ao contexto de uso, não são nem sequer percebidas pelo usuário.
Um exemplo clássico é o caso dos videogames. Para o assíduo jogador, a interface tornou-se invisível pois esse jogador não precisa mais olhar para a interface (botões do joystick, tipo de tela / monitor usado, etc.) para fazer pontos, ou seja, por não precisar prestar atenção na interface, o jogador consegue imergir no jogo por horas a fio, sem que nada o distraia.
Esse estado no qual entramos e que faz com que percamos a noção do tempo, que tenhamos sensações agradáveis e que nos tragam grande satisfação é o que Mihaly Csikszentmihalyi chamou de Flow em seu livro intitulado Flow: the psychology of optimal experience, traduzido na versão brasileira por Psicologia da Felicidade, título que, a meu ver, não retrata a complexidade do tema.
Flow, para Csikszentmihalyi é um estado positivo e altamente prazeroso de consciência que ocorre quando nossas habilidades se equiparam aos desafios que encontramos. Nos casos aonde nossas habilidades são muito superiores à tarefa em questão, ficamos entediados. E quando nossas habilidades não fazem jus ao desafio, nos sentimos frustrados por não conseguir realizá-lo.
Na verdade, este estado de Flow poderia ser considerado o Santo Graal de qualquer designer que estivesse pensando em prover uma ótima experiência para o visitante do website.
Na web, segundo Novak, Hoffman e Yung em “ Measuring the Customer Experience in Online Environments: A Structural Modeling Approach” , Flow é determinado por altos graus de destreza e controle; altos graus de desafio, excitação e atenção focada, que são melhorados com a interatividade e telepresença.
Sabemos, através de pesquisas com os usuários de Internet, que eles decidem em frações de segundos se querem explorar ou não um website que acabaram de conhecer. O desafio se torna ainda maior com a proliferação de pontos de acesso e tipos de plataforma brigando pela atenção do usuário. Imaginem, então, qual não é o esforço que devemos fazer para que esse visitante se torne assíduo e passe para a galeria da minoria absoluta dos clientes/visitantes leais.
Nos próximos artigos, daremos uma volta ao mundo (ou fora dele), visitando centros de pesquisa avançada como o MIT MediaLab, Cambridge, Palo Alto Research Center, entre outros, e revisaremos o que há de mais inovador nesta área na Europa, Estados Unidos e em outras partes do mundo e tentando fazer com que tenhamos insumos para responder o desafio de se chegar cada vez mais perto dessa tão almejada ‘interface invisível’. |